Devaneios Mentais #1: Realismo é para meninos.

Há um dia ou dois, deparei-me com um artigo sobre um tal de Euro Truck Simulator. Caso ainda não conheçam o jogo, podem ler sobre ele aqui.

Depois de ler alguns textos, fiquei com a impressão que ETS é um simulador de camionismo bastante realista. Somos obrigados a estar sempre atentos para não passar um único sinal vermelho, a fazer a manutenção do nosso camião, e todas essas coisas “interessantes”. A questão que se coloca então aqui, é que, apesar de ETS ser um simulador, logo o seu objectivo é exactamente o realismo, isso não faz dele algo de minimamente interessante.

Actualmente, é algo comum apostar numa componente de realismo, na medida em que se tenta pegar em certos aspectos da nossa vida comum, e transportá-los para o jogo A ou B. Ao que me parece, este aspecto é, na maioria das vezes, louvado. E pergunto eu: Mas que raio? Que interesse é que isto tem?

Sou obrigado a pegar no exemplo de um dos maiores colossos na industria dos videojogos de sempre. Falo de, Grand Theft Auto.

A mitica série da Rockstar conta já com 12 anos de história e inúmeros títulos lançados. Ao longo do seu natural processo da evolução, a série parece tentar cada vez mais atenuar a linha existente entre um jogo e a vida real. Isto é, na minha opinião, um erro.

Os jogos são como um escape. Uma forma de nos abstermos da vulgaridade da nossa vida, e entrarmos para um mundo cheio de novas experiências e emoções. Seja a partilhar uma sessão de Gears Of War com os amigos, a descobrir o belo mundo de Okami, ou a limpar aquela irritante lágrima que espreita no canto do olho no final de MGS4 (não que isto me tenha acontecido, claro!), o importante é que os jogos sejam um meio para nos divertirmos.

Não partilho então, da opinião de que esta tal aproximação à realidade seja assim tão espectacular. Se eu quisesse continuar a preocupar-me com as responsabilidades que tenho, ou a pensar nas infelicidades da vida, afinal vinha gastar tantas horas de comando na mão para quê ? É o mesmo que eu, após um exaustivo dia de aulas, chegar a casa, ligar a minha consola, e depois ir jogar um qualquer simulador escolar (se por acaso alguém já inventou isto, que se dedique antes à plantação de cenouras, por favor). Entre isso, e ser espancado de forma viril com um taco de basebol, a escolha é simples.

Os videojogos são apenas limitados pela criatividade e pela capacidade tecnológica do hardware existente. Então porquê submeter-nos a todas as regras de uma realidade que todos partilhamos no nosso dia-a-dia ?

World Of Goo

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2 Respostas

  1. Bem, em certos casos onde a realidade que é imitada/simulada está longe do alcançe do jogador na sua vida real, isso até pode ser bom. Eu não tenho dinheiro para Ferraris e carros de rally mas adoro conduzi-los no Gran Turismo, não tenho hipótese de conduzir um avião mas tenho a oportunidade de o fazer no Flight Simulator, etc…

    A minha opinião é que o realismo nos jogos pode ser bom, desde que seja divertido. :) Nesse caso do Euro Truck Simulator não me parece que seja o caso, eheh ^^

    • Sim, também gosto bastante de Gran Turismo, mas aí é diferente, o jogo dá-te a sensação e a adrenalina de conduzir alguns dos carros mais potentes do planeta, e é especialmente bom se for jogado com um volante decente. :)
      Nos exemplos que dei, referia-me a realidades perfeitamente comuns, que depois não têm qualquer tipo de interesse quando são incluidas em certos videojogos, como é o caso da condução no ETS, ou aquela história de levar a nossa namorada a sair em GTA4, por exemplo.

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